Vídeo: ataque a potra chama atenção para presença de onça-parda entre Iúna e Irupi

Vídeo: ataque a potra chama atenção para presença de onça-parda entre Iúna e Irupi

Animal ficou ferido e recebeu atendimento veterinário; câmera registrou felino nas proximidades da propriedade

Fotos: divulgação / médico-veterinário Gleydson Miranda e do proprietário Diego Guedes de Morais

Uma potra ficou gravemente ferida após um possível ataque de animal silvestre no domingo (16), em uma propriedade rural localizada na região da Saibreira, na divisa entre Iúna e Irupi, no Caparaó capixaba.

O animal estava em uma área próxima a um redondel, onde havia duas potras. O proprietário, Diego Guedes de Morais, informou que estava fora da propriedade por volta das 14h quando recebeu uma mensagem de uma vizinha que passava pela estrada e avistou a potra ferida.

Segundo Diego, inicialmente a vizinha suspeitou que o animal pudesse ter sido atropelado, devido à gravidade dos ferimentos. Quando chegou ao local acompanhado do irmão, Davi Guedes, o proprietário avaliou que as lesões poderiam ter sido provocadas por um ataque de predador.

A potra recebeu atendimento do médico-veterinário Gleydson Miranda, de Iúna, que avaliou os ferimentos e realizou os primeiros procedimentos. Conforme o profissional, o animal apresentava lesões principalmente na região do pescoço e da orelha, além de perda de musculatura.

Durante o atendimento, foram realizados procedimentos para conter a hemorragia e tratar os ferimentos, incluindo a sutura de algumas áreas. Segundo a avaliação apresentada pelo veterinário, não foram identificadas lesões em articulações ou tendões.

Pegada à esquerda: possível onça-parda. À direita: pegada de cão pastor-belga de médio a grande porte, apresentada para comparação. Foto: Diego Guedes de Morais

Pegadas levantaram suspeita sobre possível predador

De acordo com o proprietário, não há imagens do momento do ataque. A suspeita de que uma onça-parda possa ter sido responsável surgiu após a identificação de pegadas encontradas nas proximidades do redondel.

Diego afirmou que ele e o veterinário observaram marcas maiores e com formato diferente das pegadas dos cães da propriedade. O proprietário fotografou as marcas encontradas no local.

Segundo ele, a combinação entre as pegadas e a extensão dos ferimentos levou à hipótese de que o ataque possa ter sido provocado por uma onça-parda ou outro predador.

Até o momento, porém, não há confirmação técnica sobre qual animal atacou a potra.

Imagens comparam o tamanho da mão e da pegada.

Proprietário relata ataque anterior de cão

Diego também contou que já havia ocorrido outro ataque de animal na propriedade. Segundo ele, anteriormente, um pastor alemão atacou uma potra de aproximadamente 15 dias de vida.

O proprietário ressaltou, entretanto, que o episódio anterior foi diferente e que os ferimentos registrados agora foram significativamente mais graves.

Foco está na recuperação da potra

Após o atendimento veterinário, a propriedade passou a acompanhar a recuperação do animal. Segundo Diego, a potra está evoluindo bem.

"Estamos focados na recuperação da potra, que está seguindo bem", informou o proprietário.

Além dos cuidados com o animal, a família também adotou medidas preventivas. Segundo Diego, o monitoramento por câmeras foi reforçado na propriedade para permitir a identificação de qualquer nova movimentação de animais e possibilitar uma resposta mais rápida caso ocorra situação semelhante.

Onça-parda ocorre no Caparaó

A possibilidade de presença de onça-parda (Puma concolor) na região é compatível com a ocorrência conhecida da espécie no território do Caparaó. O Parque Nacional do Caparaó, que abrange áreas do Espírito Santo e de Minas Gerais, lista a onça-parda entre as espécies ameaçadas protegidas pela unidade de conservação.

No Espírito Santo, o Iema também classifica a espécie como "Em Perigo" em sua lista de fauna.

A presença da espécie, entretanto, não comprova que o animal registrado no caso tenha sido responsável pelo ataque. A identificação do predador depende de avaliação técnica dos vestígios encontrados no local.

Medidas podem reduzir risco para animais de criação

O Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos Carnívoros (CENAP/ICMBio) desenvolve ações relacionadas à conservação de grandes felinos e à redução de conflitos entre predadores e proprietários rurais.

Entre as medidas recomendadas em materiais técnicos do ICMBio estão evitar manter animais mais vulneráveis próximos a áreas de mata, especialmente durante períodos de maior vulnerabilidade, reforçar cercamentos e utilizar estruturas de proteção em locais de concentração dos animais. O órgão também recomenda manter fontes de água, quando possível, afastadas das áreas de mata e evitar a caça de presas naturais das onças.

Em propriedades que registram ataques ou avistamentos, o acompanhamento técnico pode ajudar a identificar o predador e estabelecer medidas específicas de prevenção. O ICMBio destaca justamente a atuação conjunta com produtores rurais para identificação do predador, instalação de medidas preventivas e adoção de práticas de manejo.

Em caso de avistamento de um grande felino, a orientação é não tentar se aproximar, capturar, perseguir ou encurralar o animal. Registros feitos à distância e em condições seguras podem auxiliar na identificação e no acompanhamento da ocorrência.

Veja abaixo o vídeo registrado durante atendimento do médico-veterinário Gleydson Miranda. Imagens e fotos também foram cedidas pelo proprietário Diego Guedes de Morais:

 

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Segunda, 17 Agosto 2026

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