Por Estevão Saloto em Terça, 14 Junho 2022
Categoria: Economia e Mercado

Defasada há 50 dias, gasolina tem maior período sem reajuste desde 2019

Mercado espera alta não só no preço da gasolina, mas também no diesel, em meio à pressão internacional e ameaças de desabastecimento

Oitenta e dois centavos separam o preço da gasolina vendida pela Petrobras e da gasolina importada de fora do Brasil. Para as distribuidoras, trazer o combustível do exterior está mais caro do que comprar da Petrobras desde 25 de abril, portanto há 50 dias nas contas dos importadores de combustível.

O último reajuste no valor da gasolina foi anunciado no dia 10 de março e passou a valer no dia seguinte. A alta foi de 18,7% exatamente duas semanas depois de a Rússia ter invadido a Ucrânia, começando um conflito que pressiona o preço do petróleo há meses.

São 95 dias sem mudar o preço. Esse é o período mais longo desde 2019. Tanto em 2021, quanto em 2022, o maior intervalo sem reajustes – para mais ou para menos – tinha sido de 58 dias. Interlocutores do mercado dos combustíveis disseram que todos os elementos apontam para um reajuste iminente.

Entre esses elementos estão a defesa de José Mauro Coelho, atual presidente da companhia, e de seus executivos da manutenção da política de equiparação internacional criada ainda no governo Temer, quando Pedro Parente presidia a estatal.

Além disso, o diesel ficou exatamente os mesmos 50 dias defasado até que o reajuste viesse. Há também uma crescente demanda pelo combustível nos próximos meses, o que é histórico, além da temporada de furacões que pode impactar refinarias americanas e do Caribe.

Também em defasagem, o diesel é visto por agentes do mercado como alvo mais provável de um aumento de preços. É que, embora a defasagem seja mais recente e o preço do combustível já tenha sido aumentado pela Petrobras em maio, há risco de crise mundial do combustível.

O argumento para o aumento de preço é de que as distribuidoras brasileiras não conseguiriam importar o combustível com uma diferença tão grande. Segundo a Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis, a Abicom, a defasagem chega a 16% do preço do diesel, ou 95 centavos. Na leitura dos especialistas, tanto o preço da gasolina no exterior, quanto do diesel, tendem a subir ainda mais.


Fonte: CNN BRASIL

Publicações Relacionadas

Deixe o seu comentário