Associação Amigo Fiel atua há quase 7 anos no resgate de animais em Iúna
Grupo voluntário enfrenta desafios para manter abrigo com 50 animais e combater os maus-tratos, e destaca aplicação de lei municipal
A Associação Amigo Fiel, de Iúna, atua formalmente há quase sete anos. Contudo, o trabalho de proteção animal começou há mais de 13 anos, ainda de forma informal, por meio de voluntários que já realizavam resgates de cães em situação de abandono.
O primeiro grupo foi formado por Lolita Carvalho, Eliane Miraias, Thiago Alcantara, Jhonatan Pinheiro e Gilberto Amorim, com a colaboração de diversos apoiadores ao longo dos anos. Na época, chegaram a manter uma sede no Parque de Exposições do município, mas o projeto foi encerrado por falta de recursos.
A atual formação da associação surgiu após um caso de grande repercussão na cidade, envolvendo maus-tratos a um cão no distrito de Nossa Senhora das Graças. A indignação popular uniu os protetores, que passaram a atuar de forma organizada, realizando resgates, tratamentos e promovendo adoções responsáveis (confira nas fotos a seguir alguns dos animais que estão disponíveis para adoção).
Atualmente a associação conta com Patrícia Gazeta, Eliete Rodrigues, Neia Cristo, Paula Alcure, Dayana Nespoli, Dayane Henriques, Neide Barglini, Cristina Leles, Grazy Tavares e José da Conceição Paula. Além de colaboradores frequentes, como Carlos Nascimento, Eveling Reis, Kellem Goulart, Flávia Gehart e muitos outros que ajudam com doações e mantém o grupo ativo.
Abrigo é meio, não fim
O grupo funciona em um espaço cedido pelo município, desde 2020, e abriga cerca de 50 cães, entre filhotes, animais doentes ou machucados. A associação destaca que não acolhe animais saudáveis, pois o abrigo é considerado um "meio", não um fim. O objetivo é tratar, vacinar, vermifugar, castrar e disponibilizar os animais para adoção.
Entretanto, segundo a associação, a realidade é desafiadora. Existem cães aguardando adoção há seis anos e há preconceito contra animais sem raça definida (vira-latas). Além disso, as doações não cobrem todas as despesas e o o grupo acumula dívidas com clínicas veterinárias.
Quando não conseguem adotantes, alguns animais retornam às ruas e passam a ser monitorados como cães comunitários.
Trabalho voluntário e sem verba pública
A Associação Amigo Fiel ressalta que não recebe verba pública direta. Os recursos para ração, medicamentos e atendimentos veterinários vêm de doações, bazares – realizados aos sábados na praça, venda de caminhas pet, lives solidárias e contribuição financeira dos próprios voluntários.
O município, atualmente, fornece ração e um funcionário para a limpeza do abrigo em dias úteis. No entanto, os custos veterinários seguem sendo responsabilidade do grupo.
Objetivo: fim dos animais de rua e dos maus-tratos
O principal objetivo da associação é que não existam mais animais abandonados ou vítimas de maus-tratos em Iúna. Por isso, o grupo atua, principalmente, no controle populacional por meio da castração e defende que a população adote e não compre animais, reforçando que cães sem raça definida costumam ser mais resistentes e igualmente afetuosos.
É lei: maus-tratos geram multa e sanções
A Lei Complementar nº 21/2020, em vigor em Iúna, estabelece sanções administrativas em casos de maus-tratos a animais no município. O texto da lei proíbe qualquer prática de maus-tratos, como manter animal sem abrigo adequado; privar de água e alimentação; agredir fisicamente; manter acorrentado por mais de 14 horas diárias; abandonar; não prestar socorro em caso de atropelamento; e não oferecer atendimento veterinário quando necessário;
A lei prevê penalidades como advertência; multa de 200 VRTE, podendo dobrar em caso de reincidência; apreensão do animal; suspensão de atividades; e perda da guarda. Os valores arrecadados são destinados à Secretaria Municipal de Meio Ambiente para ações de proteção animal.
A legislação municipal também determina que é responsabilidade do tutor garantir abrigo contra sol e chuva; manter vacinação em dia; castrar para evitar proles indesejadas; prestar assistência veterinária; e utilizar focinheira em animais ferozes em via pública.
Além disso, a Lei Federal nº 14.064/2020 prevê pena de até cinco anos de reclusão e multa para quem praticar maus-tratos contra cães e gatos.
Como ajudar a Associação Amigo Fiel
Quem quiser pode contribuir sendo voluntário, fazendo doações, oferecendo lar temporário, adotando, castrando seus animais, nunca abandonando e denunciando maus-tratos. A associação reforça que o trabalho só existe por causa da irresponsabilidade humana e que a mudança depende da conscientização coletiva.
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