Coletiva detalha investigação envolvendo civis e policiais militares em Ibatiba e Iúna

Coletiva detalha investigação envolvendo civis e policiais militares em Ibatiba e Iúna

Segundo as autoridades, apuração teve início após divergências identificadas em ocorrência registrada em Ibatiba

Fotos: SESP-ES

A coletiva de imprensa realizada na manhã desta quarta-feira (3), na Chefatura da Polícia Civil, em Vitória-ES, trouxe novos detalhes sobre a investigação que deu origem à Operação Lucas 3:14, deflagrada na terça-feira (2) nos municípios de Ibatiba, Iúna, Castelo e Mutum (MG).

De acordo com a Polícia Civil do Espírito Santo (PCES), a apuração teve início após a análise de uma ocorrência registrada em dezembro de 2025, envolvendo um suposto confronto entre uma equipe da Polícia Militar e dois civis na zona rural de Ibatiba, às margens da BR-262.

Delegado Alberto Roque Peres.

Durante a coletiva, o Superintendente da Polícia Regional Serrana, Delegado Dr. Alberto Roque Peres, afirmou que as investigações conduzidas pela Polícia Civil e pela Corregedoria da Polícia Militar identificaram divergências entre os elementos apurados e as informações registradas inicialmente no boletim de ocorrência.

Segundo ele, a partir dessas inconsistências, foi iniciado um trabalho integrado envolvendo a Delegacia Regional de Ibatiba, a Corregedoria da PM, o comando do 14º Batalhão e a Promotoria de Justiça de Ibatiba. "Foi um trabalho conjunto que permitiu avançar na apuração de suspeitas relacionadas à ocorrência e identificar outros possíveis envolvidos", explicou o delegado.

Delegado Dr. Bruno Alves.

Como o caso começou

O chefe da Delegacia Regional de Ibatiba, Delegado Dr. Bruno Alves, detalhou que a ocorrência investigada teve início após uma equipe da Polícia Militar ser acionada para realizar patrulhamento em uma região rural do município.

Conforme a versão registrada na época, os policiais teriam encontrado um veículo em atitude suspeita e, durante a tentativa de abordagem, os ocupantes teriam reagido com disparos de arma de fogo contra a guarnição. Ainda segundo o relato apresentado no boletim, os militares teriam revidado à suposta agressão.

O resultado da ação foi a morte de um dos ocupantes do veículo no local. O segundo homem foi socorrido, mas morreu três dias depois enquanto recebia atendimento médico na Grande Vitória.

Os indivíduos foram identificadas como Ezequiel de Sousa, de 39 anos, e Claudinei de Paula, de 43 anos.

De acordo com Dr. Bruno, informações de inteligência recebidas posteriormente levaram os órgãos de segurança a reavaliar os fatos. "A partir da análise dos documentos, dos materiais apreendidos e de outras informações recebidas, entendemos que havia elementos suficientes para aprofundar a investigação", afirmou.

Indícios levaram à operação

Segundo a Polícia Civil, os elementos reunidos ao longo da investigação foram apresentados ao Poder Judiciário, que autorizou as medidas cautelares cumpridas durante a Operação Lucas 3:14.

As autoridades destacaram que as prisões temporárias não representam condenação ou reconhecimento de culpa, mas são instrumentos utilizados para permitir o avanço das investigações.

"Não há, neste momento, qualquer juízo de valor sobre culpabilidade dos investigados. O objetivo é aprofundar a apuração e individualizar as condutas", ressaltou Bruno Alves.

Organização investigada teria três núcleos

Durante a coletiva, a Polícia Civil informou que trabalha com a hipótese da atuação de uma organização criminosa composta por três núcleos:

  • Mandantes ou autores intelectuais;
  • Intermediários;
  • Executores.

De acordo com o Delegado Dr. Bruno Alves, a investigação reúne 12 pessoas investigadas, entre elas civis e policiais militares. Entre os investigados também estão dois servidores públicos municipais, sendo um vinculado ao município de Ibatiba e outro ao município de Castelo.

Segundo as autoridades, a atuação de cada suspeito ainda será individualizada ao longo das investigações.

Documentos e materiais apreendidos.

Dez pessoas foram presas

A Operação Lucas 3:14 resultou, até o momento, na prisão temporária de 10 suspeitos, entre eles quatro policiais militares.

Os presos são:

  • Três homens, de 37, 36, e 49 anos, presos por força de mandado de prisão.
  • Um homem, de 44 e uma mulher, de 46 anos, presos em flagrante e encaminhados ao sistema prisional.
  • Uma mulher, de 39 anos, foi presa em flagrante e liberada para responder em liberdade, após o recolhimento da fiança arbitrada pela autoridade policial.
  • Uma mulher, de 26 anos, presa por força de mandado de prisão.
  • Quatro policiais militares, de 36, 30, 43 e 25 anos, presos por força de mandado de prisão.

Segundo a Polícia Civil, as prisões são temporárias e têm o objetivo de garantir o avanço das investigações, possibilitando a coleta de provas e o esclarecimento da participação individual de cada investigado.

As autoridades ressaltaram que as medidas não representam condenação e que todos os investigados permanecem com seus direitos constitucionais preservados.

Possível relação com conflitos antigos da região

Outro ponto abordado pelas autoridades é uma possível ligação do caso com conflitos familiares antigos existentes na região de divisa entre o Espírito Santo e Minas Gerais. Segundo o delegado Alberto Roque Peres, essa é uma das linhas de investigação atualmente analisadas.

Ele ressaltou, no entanto, que essa possível motivação ainda depende de aprofundamento e não representa uma conclusão da investigação.

Coronel Webstone Alves Christ.

Corregedoria também acompanha o caso

O corregedor da Polícia Militar do Espírito Santo, Coronel Webstone Alves Christ, explicou que toda ocorrência envolvendo morte decorrente de intervenção policial é submetida a um Inquérito Policial Militar (IPM).

Segundo ele, após a conclusão das investigações, a Corregedoria avaliará individualmente a conduta dos policiais envolvidos.

"Quando há morte decorrente de intervenção policial, a instauração do IPM é obrigatória. Após a conclusão dos procedimentos investigativos, a Corregedoria analisará a conduta de cada militar", afirmou.

O coronel também destacou que, até o momento, não há informações sobre eventual participação dos policiais investigados em outros fatos semelhantes.

Operação segue em andamento

A Operação Lucas 3:14 mobilizou 56 agentes e contou com apoio da Coordenadoria de Operações e Recursos Especiais (Core), do Núcleo de Operações e Transporte Aéreo (Notaer), além de equipes da Polícia Civil e da Polícia Militar.

Segundo as autoridades, as investigações seguem em andamento e novas informações poderão ser divulgadas conforme o avanço dos trabalhos.


Por Jacyara Marques

 

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Quarta, 03 Junho 2026

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