Estudos associam canetas emagrecedoras ao aumento da queda de cabelo

Estudos associam canetas emagrecedoras ao aumento da queda de cabelo

Pesquisas indicam maior risco de perda dos fios durante o emagrecimento acelerado; especialistas apontam que alterações nutricionais e metabólicas estão entre as principais causas

Farmacêutica e tricologista Cristal Bastos / divulgação

O uso das chamadas canetas emagrecedoras tem despertado discussões não apenas pelos efeitos na perda de peso, mas também por possíveis impactos na saúde capilar. Estudos recentes apontam uma associação entre o uso desses medicamentos e o aumento da ocorrência de queda de cabelo, especialmente em pacientes que passam por um processo de emagrecimento acelerado.

Uma metanálise que reuniu nove estudos, envolvendo 4.114 pacientes, identificou um risco aproximadamente 3,2 vezes maior de queda dos fios entre pessoas que utilizaram agonistas do GLP-1, como a semaglutida, e medicamentos à base de tirzepatida, em comparação com pacientes que receberam placebo.

Apesar da associação estatística, pesquisadores indicam que, na maioria dos casos, a queda dos cabelos não ocorre por um efeito direto do medicamento sobre o folículo capilar. A principal hipótese é que o processo esteja relacionado às mudanças provocadas pelo emagrecimento rápido, como redução significativa da ingestão de calorias e proteínas, deficiência de nutrientes essenciais — entre eles ferro, zinco, vitamina D e vitamina B12 — além de alterações hormonais e metabólicas.

Segundo a farmacêutica e tricologista Cristal Bastos, esse conjunto de fatores pode desencadear o chamado eflúvio telógeno, condição caracterizada pelo aumento temporário da queda de cabelo.

"O que observamos na prática clínica é que o principal gatilho costuma ser o emagrecimento acelerado. Quando o organismo passa por um estresse metabólico importante, ele prioriza funções vitais e pode reduzir temporariamente recursos destinados ao crescimento dos fios", explica a especialista.

De acordo com Cristal Bastos, os primeiros sinais costumam surgir entre dois e quatro meses após o início da perda de peso mais intensa.

Outro fator observado é que a redução do apetite provocada pelos medicamentos pode levar algumas pessoas a consumir menos proteínas e micronutrientes importantes para a manutenção da saúde capilar.

Embora o quadro gere preocupação, especialistas destacam que o eflúvio telógeno, na maior parte das situações, é temporário e reversível. A recuperação dos fios tende a ocorrer após a estabilização do peso e a correção de possíveis deficiências nutricionais, processo que pode levar entre seis e doze meses, dependendo de cada paciente.

A farmacêutica ressalta ainda que nem toda queda de cabelo observada durante o tratamento está necessariamente relacionada ao uso das medicações. Segundo ela, condições pré-existentes, como alopecia androgenética, alterações hormonais e deficiência de ferro, também podem contribuir para o problema e devem ser investigadas individualmente.

Especialistas recomendam que o processo de emagrecimento seja acompanhado por profissionais de saúde, incluindo médicos e nutricionistas, para reduzir os riscos de alterações nutricionais e identificar precocemente qualquer mudança relacionada à saúde dos cabelos.


Com informações da assessoria

 

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Quinta, 16 Julho 2026

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