Programa federal prevê segurança máxima em 138 presídios para isolar lideranças criminosas
Plano detalhado pelo ministro Wellington Lima foca na interrupção da comunicação de facções e no bloqueio de recursos financeiros
O ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington Lima, detalhou nesta quarta-feira (13), no programa "Bom dia, Ministro", as metas do programa Brasil Contra o Crime Organizado. Um dos eixos centrais do plano, lançado pelo governo federal em Brasília, é a implementação de um padrão de segurança máxima em 138 unidades prisionais distribuídas por todos os estados e o Distrito Federal.
O objetivo da medida é desarticular a comunicação entre lideranças detidas e grupos externos. Segundo o ministro, essas 138 unidades representam 10% do total de presídios do país, mas abrigam cerca de 80% das lideranças das facções criminosas.
Padronização e Tecnologia
As unidades selecionadas passarão a operar sob protocolos inspirados no sistema penitenciário federal. "Nós temos, no sistema penitenciário federal, cinco unidades consideradas de excelência, inclusive internacionalmente. Nós vamos replicar o modo de funcionar, o equipamento – que ali está presente, de cinco unidades federais para 138 unidades em todo o país. É algo muito impactante, muito relevante", afirmou Wellington Lima.
O projeto inclui o uso da chamada "operação modo-avião", que utiliza tecnologia para localizar e extrair aparelhos celulares, além de bloquear sinais de comunicação no perímetro das unidades. A estrutura prevê o uso de drones, scanners corporais, georradares e bloqueadores de rádio.
Cronograma e Investimentos
Conforme explica o ministro, a implementação será progressiva, com foco em unidades escolhidas por critérios técnicos e fluxo de informações do crime. O orçamento direto, para 2026, é de R$ 1,06 bilhão, com a seguinte divisão:
- R$ 388,9 milhões para asfixia financeira;
- R$ 330,6 milhões para o sistema prisional;
- R$ 201 milhões para elucidação de homicídios;
- R$ 145,2 milhões para combate ao tráfico de armas.
Além dos recursos diretos, o governo anunciou uma linha de crédito de R$ 10 bilhões, via BNDES voltada à segurança pública.
Asfixia Financeira
Outra frente de atuação detalhada pelo ministro é o combate à lavagem de dinheiro. A estratégia visa identificar bens e fluxos financeiros em setores como o de combustíveis, fintechs e mercado financeiro.
"Nós produziremos uma verdadeira asfixia financeira, tirando o oxigênio do crime organizado que está, hoje, presente em casos de fintechs, de postos de gasolinas, de empresas das mais variadas, no mercado financeiro", explicou Lima. O modelo segue os moldes da Operação Carbono Oculto, focada no bloqueio de bens e desarticulação da base econômica das facções para evitar que as cadeias continuem funcionando como "escritórios do crime".
*Com informações da Agência Gov / via Secom
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