Programa federal prevê segurança máxima em 138 presídios para isolar lideranças criminosas

Programa federal prevê segurança máxima em 138 presídios para isolar lideranças criminosas

Plano detalhado pelo ministro Wellington Lima foca na interrupção da comunicação de facções e no bloqueio de recursos financeiros  

Segundo o ministro Wellington Lima, objetivo da medida é desarticular a comunicação entre lideranças detidas e grupos externos (Foto Marcelo Camargo/Agência Brasil).

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington Lima, detalhou nesta quarta-feira (13), no programa "Bom dia, Ministro", as metas do programa Brasil Contra o Crime Organizado. Um dos eixos centrais do plano, lançado pelo governo federal em Brasília, é a implementação de um padrão de segurança máxima em 138 unidades prisionais distribuídas por todos os estados e o Distrito Federal.

O objetivo da medida é desarticular a comunicação entre lideranças detidas e grupos externos. Segundo o ministro, essas 138 unidades representam 10% do total de presídios do país, mas abrigam cerca de 80% das lideranças das facções criminosas.

Padronização e Tecnologia

As unidades selecionadas passarão a operar sob protocolos inspirados no sistema penitenciário federal. "Nós temos, no sistema penitenciário federal, cinco unidades consideradas de excelência, inclusive internacionalmente. Nós vamos replicar o modo de funcionar, o equipamento – que ali está presente, de cinco unidades federais para 138 unidades em todo o país. É algo muito impactante, muito relevante", afirmou Wellington Lima.

O projeto inclui o uso da chamada "operação modo-avião", que utiliza tecnologia para localizar e extrair aparelhos celulares, além de bloquear sinais de comunicação no perímetro das unidades. A estrutura prevê o uso de drones, scanners corporais, georradares e bloqueadores de rádio.

Cronograma e Investimentos

Conforme explica o ministro, a implementação será progressiva, com foco em unidades escolhidas por critérios técnicos e fluxo de informações do crime. O orçamento direto, para 2026, é de R$ 1,06 bilhão, com a seguinte divisão:

- R$ 388,9 milhões para asfixia financeira;

- R$ 330,6 milhões para o sistema prisional;

- R$ 201 milhões para elucidação de homicídios;

- R$ 145,2 milhões para combate ao tráfico de armas.

Além dos recursos diretos, o governo anunciou uma linha de crédito de R$ 10 bilhões, via BNDES voltada à segurança pública.

Asfixia Financeira

Outra frente de atuação detalhada pelo ministro é o combate à lavagem de dinheiro. A estratégia visa identificar bens e fluxos financeiros em setores como o de combustíveis, fintechs e mercado financeiro.

"Nós produziremos uma verdadeira asfixia financeira, tirando o oxigênio do crime organizado que está, hoje, presente em casos de fintechs, de postos de gasolinas, de empresas das mais variadas, no mercado financeiro", explicou Lima. O modelo segue os moldes da Operação Carbono Oculto, focada no bloqueio de bens e desarticulação da base econômica das facções para evitar que as cadeias continuem funcionando como "escritórios do crime". 

*Com informações da Agência Gov / via Secom

 

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Quarta, 13 Mai 2026

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