Lobo-guará é avistado às margens da ES-181 na zona rural de Muniz Freire
Animal silvestre foi registrado por moradores da comunidade de Amorim e a orientação é manter distância e acionar a Polícia Militar Ambiental em casos semelhantes
Moradores da comunidade de Amorim, na zona rural de Muniz Freire, região do Caparaó Capixaba, registraram na manhã do último 4 de julho a presença de um lobo-guará nas proximidades da rodovia ES-181, no trecho entre a sede do município e o distrito de Anutiba, em Alegre.
O animal foi filmado caminhando às margens da rodovia e atravessando a pista. Segundo relatos de moradores, o lobo-guará apresentava comportamento tranquilo, sem sinais de agressividade. Durante o registro, permaneceu próximo à estrada e não demonstrou receio diante da presença de pessoas e veículos.
De acordo com moradores, o aparecimento de animais silvestres na região tem sido observado com maior frequência. A proximidade da comunidade com áreas de vegetação nativa favorece a circulação de diversas espécies da fauna.
A Prefeitura de Muniz Freire informou que, até o momento, nenhum órgão municipal havia sido acionado sobre a ocorrência. O vídeo registrado da presença do animal está no final da matéria.
O que fazer ao encontrar um lobo-guará
A orientação é que a população não tente capturar, alimentar, tocar ou afugentar o animal. O recomendado é manter distância, evitar qualquer aproximação e permitir que ele siga seu caminho.
Caso o animal seja encontrado em áreas urbanas, represente risco de acidentes ou permaneça às margens de rodovias, a recomendação é acionar a Polícia Militar Ambiental, pelo telefone (28) 3553-2042, para que sejam adotadas as medidas adequadas de manejo e proteção da fauna.
Por que o lobo-guará aparece no Espírito Santo?
O lobo-guará (Chrysocyon brachyurus) é o maior canídeo da América do Sul e ocorre, principalmente, em áreas de Cerrado, campos naturais e regiões de transição entre diferentes biomas. Nos últimos anos, registros da espécie têm se tornado mais frequentes em municípios do Espírito Santo, especialmente na região do Caparaó e em áreas do sul do estado.
Pesquisadores apontam que esses registros podem estar relacionados à combinação de fatores como a existência de fragmentos de vegetação nativa, corredores ecológicos entre Minas Gerais e Espírito Santo, disponibilidade de alimento e o deslocamento natural dos indivíduos em busca de território.
Embora seja um predador, o lobo-guará tem uma alimentação bastante variada. Grande parte da dieta é composta por frutos, especialmente a lobeira, além de pequenos mamíferos, aves, répteis e insetos. A espécie desempenha papel importante na dispersão de sementes e no equilíbrio dos ecossistemas.
Espécie é considerada vulnerável
O lobo-guará está classificado como vulnerável na lista nacional de espécies ameaçadas de extinção. Entre as principais ameaças estão a perda e fragmentação do habitat, atropelamentos em rodovias, queimadas e conflitos ocasionais com atividades humanas.
Especialistas destacam que avistamentos como o registrado em Muniz Freire não significam, necessariamente, que o animal esteja perdido ou doente. Em muitos casos, ele apenas está se deslocando por seu território ou utilizando corredores naturais entre áreas de vegetação.
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