Crédito rural e PIB do Espírito Santo registram crescimento acima da média nacional
Financiamentos ao setor agropecuário atingem recorde de R$ 8,31 bilhões, enquanto o Produto Interno Bruto capixaba avança 5,0% no primeiro trimestre de 2026
O setor produtivo do Espírito Santo apresentou indicadores de crescimento superiores à média brasileira nos primeiros meses de 2026. A contratação de crédito rural no estado somou R$ 8,31 bilhões, entre julho de 2025 e maio de 2026, consolidando o maior valor da série histórica para o período. Paralelamente, o Produto Interno Bruto (PIB) capixaba registrou expansão de 5,0% no primeiro trimestre de 2026, em comparação com o mesmo período do ano anterior, impulsionado pela atividade industrial e pelo setor de serviços.
O avanço de 0,3% no valor total do crédito rural contratado no Espírito Santo contrasta com o cenário federal, que registrou queda de 10,2% no mesmo período. No total, produtores capixabas realizaram 43,3 mil financiamentos nas diferentes cadeias do agronegócio regional, o que representa um aumento de 1,1% no número de operações e maior distribuição dos recursos pelas propriedades do estado.
O volume de recursos está associado às diretrizes do Plano de Crédito Rural para o Espírito Santo, estruturado com a participação de entidades representativas de produtores rurais e pescadores, em cooperação entre governo estadual, União e instituições financeiras como Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Banco do Nordeste, Banestes, Sicoob-ES, Sicredi, Cresol e Bandes.
Modalidades de financiamento
Para o secretário de Estado da Agricultura, Enio Bergoli, os números demonstram a relevância das linhas de financiamento para a continuidade das atividades no campo. "O Espírito Santo manteve crescimento na aplicação de crédito rural em um cenário nacional de queda no valor aplicado. O crescimento em custeio e investimento mostra que os produtores seguem buscando recursos para manter a produção, melhorar a estrutura das propriedades e ampliar a produtividade. Na agricultura familiar, o avanço é ainda mais expressivo e reforça a importância desse público para a produção de alimentos, geração de renda e permanência das famílias no campo", afirmou Bergoli.
Entre as modalidades de financiamento, o custeio alcançou R$ 3,66 bilhões (alta de 8,5% em 19.041 operações) e os investimentos somaram R$ 3 bilhões (alta de 11,9% em 22.983 contratos). O segmento de industrialização cresceu 35,4%, totalizando R$ 96,49 milhões, enquanto os recursos destinados à comercialização recuaram 28,1%, passando de R$ 2,16 bilhões para R$ 1,56 bilhão.
De acordo com Danieltom Vandermas, gerente de dados e análises da Secretaria de Estado da Agricultura (Seag), "o desempenho no Espírito Santo reflete o avanço das modalidades diretamente ligadas à atividade produtiva". "No Estado, o crescimento em custeio e investimento compensou parte da retração em comercialização e mostra que o financiamento segue direcionado à produção e à modernização das propriedades", destacou.
Agricultura familiar concentra 75% das operações
A agricultura familiar respondeu por R$ 2,82 bilhões do montante geral operado no estado entre julho de 2025 e maio de 2026. O valor é 17,6% superior ao ciclo anterior, representando um acréscimo absoluto de R$ 423,1 milhões direcionados ao segmento, que compõe 75% das propriedades rurais do Espírito Santo. O total de contratos liberados subiu 7,3%, migrando de 30,4 mil para 32,6 mil movimentações. Com o resultado, a categoria representou 34% do valor financeiro do crédito rural capixaba e 75,2% dos contratos emitidos.
Nas subdivisões da agricultura familiar, o crédito para custeio expandiu 25,1%, evoluindo de R$ 879,71 milhões para R$ 1,10 bilhão, com acréscimo de 14,9% no número de contratos (13,6 mil). Os aportes em investimentos nas pequenas propriedades subiram 13,3%, passando de R$ 1,52 bilhão para R$ 1,72 bilhão, distribuídos em 18,9 mil operações (alta de 2,4%). Os indicadores apontam para a busca simultânea por recursos de manutenção e de modernização tecnológica na produção familiar.
PIB do ES acumula R$ 253,1 bilhões em 12 meses
No âmbito macroeconômico, o crescimento de 5,0% do PIB capixaba, no primeiro trimestre de 2026, superou a média de expansão do PIB brasileiro, que foi de 1,8% no mesmo intervalo. Os dados foram extraídos do levantamento do Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN). No acumulado dos últimos quatro trimestres, a economia do Espírito Santo registrou alta de 4,8%, ante 2,0% da média do país.
O PIB nominal do estado foi mensurado em R$ 61,3 bilhões nos primeiros três meses de 2026, totalizando R$ 253,1 bilhões na soma dos últimos quatro trimestres pesquisados. Na análise setorial do trimestre frente a igual período do ano anterior, a indústria capixaba registrou crescimento de 11,8%, consolidando-se como o principal vetor econômico local. O setor de serviços manteve expansão estável de 2,5%, tanto no acumulado do primeiro trimestre quanto na contagem de 12 meses. Na comparação com o quarto trimestre de 2025, os dados com ajuste sazonal indicaram estabilidade na atividade econômica geral do Espírito Santo.
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