Assembleia Legislativa homenageia produtores de cafés especiais capixabas
Solenidade proposta pelo deputado Dary Pagung destaca a evolução da qualidade, a valorização do trabalho feminino e o protagonismo de cafeicultores da Região do Caparaó
Quarenta e um produtores de cafés especiais de 17 municípios capixabas – incluindo sete da região do Caparaó Capixaba – receberam placas comemorativas em sessão solene realizada pela Assembleia Legislativa do Espírito Santo (Ales). A solenidade, proposta pelo deputado Dary Pagung, aconteceu na quarta-feira passada (24) e valoriza o trabalho desenvolvido no campo.
O parlamentar pontuou que a produção cafeeira carrega aspectos de cultura, tradição, sustentabilidade e força do trabalho rural. "Não estamos apenas consumindo uma bebida, mas o resultado do conhecimento de milhares de pessoas que se dedicam todos os dias para produzir um café de excelência", declarou.
Ao mencionar sua origem no meio rural, Pagung ressaltou o esforço dos produtores para comparecer ao evento em período de safra. "É um momento de plena colheita e, mesmo assim, tiraram um tempo pra vir aqui. Sou filho de agricultor, já trabalhei no campo e, hoje, tenho a honra de homenagear produtores que levam o nome do Espírito Santo para o Brasil e para o mundo. Fico feliz mesmo".
Transformação no campo e destaque para o Caparaó
A evolução histórica da cafeicultura capixaba foi detalhada por representantes do setor. A presidente da Associação de Produtores de Café Especiais do Caparaó (Apec), Cecília Nakao, relembrou as dificuldades enfrentadas no início dos anos 2000 na região, caracterizadas pela falta de estrutura e desvalorização do produto.
Segundo a representante da entidade, responsável pela indicação geográfica dos grãos na região, o cenário atual reflete o suporte técnico recebido ao longo dos anos. Produtores da Região do Caparaó, vindos de municípios como Alegre, Divino São Lourenço, Guaçuí, Ibatiba, Irupi, Iúna e Muniz Freire, figuraram entre os principais homenageados, simbolizando a consolidação da área como referência em grãos de alta qualidade.
"Tivemos muito apoio de institutos acadêmicos, de pesquisadores, do Incaper, que ajudou muito. Hoje, o café traz notoriedade para a família do produtor e, também, para o Estado. A nova geração é motivo de orgulho da comunidade e, na escola, eles se orgulham de terem pais que produzem café de qualidade", afirmou Cecília.
Mudança de patamar e participação feminina
A produtora Tatiana Favoreto de Oliveira Paulucio, de Muniz Freire, discursou em nome dos homenageados e destacou a mudança de patamar do produto capixaba no mercado nacional e internacional. "Num passado não tão distante, o Espírito Santo era conhecido por ter os piores cafés do Brasil, mas nos últimos tempos a história vem sendo contada diferente. Agora temos os melhores cafés e não somos nós quem falamos, são os concursos, os nossos clientes e o espaço que nós conquistamos", disse.
Tatiana, que atua na produção ao lado das irmãs Juliana e Poliana, enfatizou o crescimento da participação feminina na atividade econômica. "Nós, mulheres, que não tínhamos reconhecimento, agora, temos espaço na cafeicultura. Eu e minhas irmãs somos exemplos disso e tantas outras aqui presentes. A gente tem esse espaço, esse reconhecimento, tudo proporcionado pela constância do nosso trabalho. Os mais velhos, que se orgulham e se realizam, os seus filhos, netos e até bisnetos se destacam em eventos nacionais e internacionais", completou.
Planejamento e mercado
O secretário de Estado da Agricultura, Ênio Bergoli, avaliou o foco na qualidade como o principal diferencial competitivo do Espírito Santo frente ao mercado global. O gestor apontou os caminhos para a expansão da variedade conilon e o alinhamento do evento com as metas estruturais do setor.
"Em algum momento, o Brasil vai ser pequeno e nós vamos ter que ofertar o nosso conilon mais para o mundo. Tendo em vista que a gente está melhorando muito nossas lavouras, sendo mais tecnificadas. Talvez nosso principal desafio para os próximos anos seja aumentar a qualidade do conilon. Então, essa sessão tem tudo a ver com o nosso planejamento de médio e longo prazo, de cada vez mais produzir cafés especiais, arábica e conilon, no Espírito Santo", projetou Bergoli.
Produtores do Caparaó homenageados
Alegre: Leandro Barbosa Quadra
Divino São Lourenço: Paulo Roberto Alves
Guaçuí: Rose Mary Teixeira Guimarães Polido, Udson Furtado Ferreira, Leandro Dessi de Paula
Ibatiba: Renan Leandro de Souza
Irupi: Leandro Vieira Chagas, Carlos Eduardo Mendonça, Walkiria Andrade de Amorim
Iúna: Deneval Miranda Vieira, Emilio Messias Horst, Gilberto Jesus Costa
Muniz Freire: Tatiane Favoreto de Oliveira Paulucio, Maxuel Finoti da Costa, Oliveira Theodoro da Silva
Confira as fotos dos homenageados do Caparaó, na ordem citada acima.
Demais produtores homenageados
Afonso Cláudio: Josane de Souza Lima Bissoli, Élcio Seidl, Gevanildo de Almeida Ribeiro, Braz Zandonaide, Bruno Bragança Lima, Michel Mendonça dos Santos
Baixo Guandu: Guilherme Feller Rocon
Brejetuba: Deidson Pilon Zucon, Joselino Menegueti, Andrea Vivacqua
Cariacica: Edgar Coradini Pereira, Genivaldo Agrizzi
Iconha: Lucas Lovatti Rovetta, Erenilda Luzia Chuina Ferreira Guio, José Fernando Bressamini Mozer
Itaguaçu: Jocileia Apelfeler Binda
Mimoso do Sul: Paulo Roberto Vila, Walaci da Silva Santos, Danilo Mateini Ribeiro
Muqui: Guideone Machado Carrari, Luiz Cláudio de Souza
Pancas: Paulo Alexandre Esteves Jorge
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