Brasil fora do Mapa da Fome e com dieta saudável mais barata da América Latina e Caribe
Relatório da FAO-ONU considera dados de 2023 a 2025 e indica redução da insegurança alimentar severa, além de custo da alimentação saudável abaixo da média regional
O Brasil permanece fora do Mapa da Fome, de acordo com o relatório "O Estado da Segurança Alimentar e Nutrição no Mundo 2026 (SOFI)", divulgado pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO-ONU) na terça-feira (21). O estudo reúne dados referentes ao triênio 2023-2025 e, também, mostra que o país registrou o menor custo médio para uma dieta saudável entre os países da América Latina e Caribe.
Segundo o relatório, o país manteve abaixo de 2,5% a proporção da população sem renda suficiente para consumir a quantidade mínima de calorias necessária para uma vida saudável. Esse indicador, denominado Prevalência de Subnutrição (PoU), é utilizado pela FAO na elaboração do Mapa da Fome.
Além disso, a publicação aponta que a insegurança alimentar severa caiu para 0,6% da população. No período analisado, cerca de 16,7 milhões de pessoas deixaram essa condição no Brasil.
Dieta saudável com menor custo
O relatório também compara o custo médio de uma alimentação saudável entre diferentes países. Para realizar esse cálculo, a FAO utiliza indicadores macroeconômicos e demográficos, considerando fatores como renda da população, tamanho populacional e preço médio de uma cesta de alimentos adequada.
No Brasil, o custo diário estimado foi de US$ PPC 4,89 por pessoa (dólares em Paridade do Poder de Compra), abaixo da média da América do Sul (US$ PPC 4,94) e da América Latina e Caribe (US$ PPC 4,91).
Indicadores econômicos
Os resultados apresentados no relatório refletem indicadores oficiais divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Entre os dados considerados estão:
PIB: crescimento de 3,2% em 2023, 3,4% em 2024 e 2,3% em 2025;
Taxa de desemprego: 5,6% em 2025;
Rendimento médio mensal domiciliar per capita: R$ 2.264 em 2025;
Inflação dos alimentos (IPCA): 2,95% em 2025, com média anual de 3,8% no triênio 2023-2025.
O relatório também cita que o Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Sisan) integra a estrutura de políticas públicas voltadas à segurança alimentar, reunindo ações de proteção social, transferência de renda, crédito agrícola e compras públicas da produção de alimentos.
Fome diminui no mundo
Em âmbito global, o relatório estima que 7,8% da população mundial enfrentou a fome em 2025, índice inferior aos 8,1% registrados em 2024 e aos 8,6% de 2022.
A estimativa é de que aproximadamente 645 milhões de pessoas tenham enfrentado a fome no triênio encerrado em 2025. Uma redução de cerca de 14 milhões em relação a 2024 e de 43 milhões na comparação com 2022.
O relatório SOFI 2026 foi elaborado em conjunto pela FAO, FIDA, UNICEF, Programa Mundial de Alimentos (PMA) e Organização Mundial da Saúde (OMS) e apresentado durante o Comitê de Agricultura (COAG), em Roma, na Itália.
Entenda os indicadores
O PoU (Prevalência de Subnutrição) estima a parcela da população que, considerando a distribuição de renda e a disponibilidade de alimentos, não consegue consumir calorias suficientes para uma vida saudável. Um país deixa o Mapa da Fome quando esse percentual permanece inferior a 2,5%.
Já a Escala de Experiência em Insegurança Alimentar (FIES-sigla em inglês) mede a percepção das pessoas sobre o acesso aos alimentos por meio de questionários aplicados a uma amostra representativa da população. Os resultados também são divulgados em médias trienais.
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