Mais de 130 animais silvestres reabilitados são soltos na zona rural de Guaçuí

Mais de 130 animais silvestres reabilitados são soltos na zona rural de Guaçuí

Ação da Secretaria Municipal de Meio Ambiente contemplou 131 aves, 4 mamíferos e 5 répteis, após período de aclimatação e tratamento no Projeto Cereias  

Espécies resgatadas passaram por acompanhamento biológico antes da reintrodução ao habitat natural. (Foto: Divulgação/Semmam)

A Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Guaçuí (Semmam) realizou a soltura de 140 animais silvestres na manhã de quarta-feira (29), em uma área de preservação localizada na zona rural do município. Ao todo, foram devolvidas à natureza 131 aves, quatro mamíferos e cinco répteis.

A área escolhida para a reintrodução passou por estudo prévio e conta com autorização dos órgãos de defesa ambiental para garantir as condições necessárias à adaptação dos exemplares.

Reabilitação e espécies integradas

Os espécimes soltos são frutos de apreensões e recolhimentos efetuados por órgãos ambientais em diferentes regiões do Espírito Santo. Antes do retorno à vida livre, eles passaram por processo de reabilitação no Centro de Reintrodução de Animais Selvagens (Cereias), localizado em Aracruz, no Norte do Estado. 

A ação contemplou a soltura de aves, répteis e mamíferos. À direita, tico-tico anilhado para identificação (Foto: Divulgação/Semmam).

Entre o grupo reintroduzido estão indivíduos de espécies como canários-da-terra, coleiros, catataus, tzius, galinhos-da-serra, tico-ticos, sabiás, jandaias, tiribas-de-orelha-branca, periquitões-maracanã, macacos-saguis-da-cara-branca e jabutis. Entre os destaques da ação está a presença do catatau, ave que figura em listas de espécies sob risco de extinção em determinados territórios nacionais.

Etapa final e protocolo técnico

Na fase que antecedeu a soltura, os animais permaneceram em um período de aclimatação em Guaçuí, sob acompanhamento da equipe da Semmam e de um biólogo. Durante essa etapa, receberam alimentação adequada e passaram por observação comportamental.

Antes de integrarem a vida livre, todos os espécimes foram devidamente anilhados para controle e futura identificação. A equipe técnica também elaborou um documento oficial detalhando quantidade, sexo, nome popular e nome científico de cada indivíduo.

O secretário municipal de Meio Ambiente, Roberto Martins, destacou a importância técnica da reintrodução para a conservação ecológica. "Cada animal devolvido à natureza representa a recuperação de uma importante função ecológica. Aves, mamíferos e répteis desempenham papéis essenciais na dispersão de sementes, no controle biológico de populações e na manutenção do equilíbrio dos ecossistemas", ressaltou. 

Animais apreendidos por órgãos ambientais foram reabilitados no Projeto Cereias antes do retorno à natureza, com destaque para um catatau em risco de extinção (Foto: Divulgação/Semmam).

Ele ainda colocou que o trabalho somente é realizado após criteriosa avaliação veterinária, biológica e comportamental, visando garantir que os espécimes estejam aptos a sobreviver em vida livre. "A reintrodução responsável fortalece a biodiversidade, contribui para a conservação da Mata Atlântica e demonstra que a integração entre os órgãos ambientais é fundamental para combater o tráfico de animais silvestres e promover a recuperação da fauna brasileira", afirmou.

Função ecológica e cativeiro ilegal

A presença dos animais silvestres em seu habitat natural assegura funções ecológicas essenciais, como a polinização, a dispersão de sementes e o controle populacional de insetos, fatores essenciais para a regeneração florestal e manutenção da vegetação nativa da Mata Atlântica.

Por outro lado, a manutenção ilegal em cativeiro resulta em alterações comportamentais, estresse, redução da expectativa de vida e impactos diretos no ciclo reprodutivo das espécies, além de enfraquecer as populações naturais. A legislação prevê a permanência sob cativeiro apenas em situações excepcionais, como pesquisas autorizadas e programas de conservação. 

Aves recebem alimentação durante o período de aclimatação antes da soltura em Guaçuí (Foto: Divulgação/Semmam).
 

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Quarta, 29 Julho 2026

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