Soroterapia não tem eficácia comprovada para pessoas saudáveis, alerta Anvisa
Agência esclarece que aplicação na veia deve ser restrita ao tratamento de deficiências diagnosticadas e procedimento sem recomendação médica trazem riscos à saúde
A promessa de ganho de energia, imunidade reforçada e efeitos estéticos tem impulsionado a busca pela chamada soroterapia nas redes sociais. No entanto, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) alerta que não existem evidências científicas que comprovem os benefícios da administração intravenosa de nutrientes, medicamentos ou outras substâncias em pessoas saudáveis.
De acordo com o órgão regulador, o procedimento deve ser restrito exclusivamente ao tratamento de deficiências nutricionais clinicamente diagnosticadas, sob a devida orientação de um profissional de saúde habilitado.
Riscos associados e excesso de vitaminas
Embora a aplicação direta de substâncias na veia seja um recurso consolidado na medicina, para casos específicos — como pacientes em estado de desidratação, internados ou impossibilitados de absorver nutrientes pela alimentação —, o uso sem indicação terapêutica pode acarretar sérios problemas à saúde. Entre os riscos apontados pela agência reguladora estão infecções locais e sistêmicas; reações alérgicas graves; e hipervitaminose (excesso de vitaminas no organismo).
A ingestão ou aplicação de vitaminas além das necessidades diárias do corpo não garante melhora no bem-estar e pode causar quadros de intoxicação. Os sintomas associados à hipervitaminose incluem náuseas, vômitos, dores de cabeça e, em casos mais graves, disfunções no funcionamento dos rins e do fígado.
O papel da regulação e orientações
A Anvisa atua na avaliação, regulação e fiscalização de medicamentos, suplementos e insumos de saúde, antes de sua liberação para o mercado. Já a definição das diretrizes de atuação profissional e a fiscalização das condutas de aplicação cabem aos respectivos conselhos de classe da área da saúde.
Para evitar riscos e garantir a segurança antes de realizar qualquer procedimento, a orientação é adotar três medidas de checagem:
Consultar a regularidade: verificar se os produtos aplicados estão devidamente registrados e autorizados pela Anvisa.
Confirmar a habilitação: certificar-se de que o profissional que executa a aplicação possui habilitação técnica legal para o ato.
Checar o reconhecimento: consultar o conselho profissional da categoria para confirmar se a prática é reconhecida e permitida para aquela especialidade.
Alerta sobre produtos injetáveis
A legislação brasileira estabelece que cosméticos são produtos de uso estrito na parte externa do corpo (pele, cabelos, unhas e dentes). Substâncias aplicadas por via injetável não se enquadram como cosméticos e devem, obrigatoriamente, possuir registro como medicamentos ou dispositivos médicos na agência de vigilância.
*Com informações da Agência Gov | Via Anvisa
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