Professores fazem paralisação em Iúna por piso e carreira
Prefeito destaca acumulado de 53,54% em revisões e aumentos nos últimos seis anos e afirma que a administração segue aberta ao diálogo
Professores da rede municipal de Iúna realizaram, na terça-feira (15), uma paralisação para reivindicar a adequação do piso salarial do magistério e a valorização da carreira. A mobilização ocorreu de forma pacífica e foi acompanhada pelo Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Iúna e Irupi (SINDSPII), que representa a categoria.
Entre os principais pontos levantados pelos professores está a diferença entre o piso nacional do magistério de 2026 e os valores atualmente pagos pelo município. Segundo dados apresentados pelos profissionais, o piso nacional é de R$ 5.130,63 para jornada de 40 horas semanais e de R$ 3.206,64 para 25 horas.
Eles destacam que os vencimentos pagos atualmente pela Prefeitura de Iúna são de R$ 4.784,72 para a carga de 40 horas e R$ 2.990,45 para 25 horas, o que representaria uma diferença de R$ 345,91 e R$ 216,19, respectivamente.
Outro ponto destacado pela categoria é a estrutura da carreira do magistério. Segundo os profissionais, o modelo anterior previa sete níveis de progressão, abrangendo formações do magistério ao doutorado. Já a estrutura atual teria sido reduzida para quatro níveis, iniciando na graduação, o que, segundo o sindicato, impactou adicionais e a evolução remuneratória ao longo do tempo.
Os professores também afirmam que houve redução dos percentuais de acréscimo entre os níveis da carreira. Conforme os relatos, antes os reajustes incidiam de forma mais ampla durante a progressão funcional, enquanto atualmente ocorreriam de maneira mais limitada, reduzindo o ganho salarial ao longo da trajetória profissional. Em um dos exemplos apresentados, a diferença poderia chegar a mais de 40% na remuneração em relação à estrutura antiga.
Segundo o SINDSPII, a paralisação teve como objetivo chamar a atenção do Poder Executivo para as reivindicações e solicitar a retomada das negociações sobre o piso e a carreira.
Prefeitura apresenta histórico de reajustes
Em nota, a Prefeitura Municipal de Iúna informou que, de acordo com notificação anual recebida do Tribunal de Contas do Estado do Espírito Santo em março de 2026, somente uma professora recebe remuneração inferior ao piso no município – abaixo de R$ 5.130,63 para a carga horária de 40 horas.
Ainda de acordo com a Administração Municipal, entre 2021 e 2026, foram concedidos 53,54% em revisões gerais e aumentos salariais acumulados, índice superior ao registrado em gestões anteriores. Dados fornecidos pelo Setor de Recursos Humanos da Prefeitura informam que, entre 2013 e 2016, o acumulado foi de 20,21%, enquanto entre 2017 e 2020 chegou a 11,5% (conforme quadro abaixo).
Prefeito lamenta impasse
Em resposta à mobilização, o prefeito de Iúna, Romário Batista Vieira, afirmou respeitar o direito de manifestação da categoria e reiterou que a administração municipal segue aberta ao diálogo, mas lamentou a paralisação. "Confesso que fiquei muito triste com essa situação. Quem me conhece sabe que eu sempre procurei tratar cada professor com respeito, com diálogo aberto, olho no olho. Nunca fechei a porta para ninguém".
Romário acrescenta que, durante sua gestão, houve um acumulado de aumentos que nunca havia acontecido antes na história do município. "Tudo isso com muito cuidado e responsabilidade, pensando sempre em fazer o melhor pra categoria. Mas eu não vou negar que fica um sentimento de que, às vezes, todo esse esforço não é reconhecido. E isso entristece, porque foi tudo feito com muito respeito e consideração por cada profissional", acrescenta. O prefeito conclui reafirmando o compromisso de manter o diálogo aberto, seja de forma coletiva ou individual com cada profissional.
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