Igreja e Ministério Público se unem para combater a violência doméstica

Igreja e Ministério Público se unem para combater a violência doméstica

Capacitação em Jerônimo Monteiro orientou presbíteros da Diocese de Cachoeiro sobre como acolher vítimas e acionar redes de proteção  

Fotos Padre José Carlos Ferreira

Visando fortalecer a rede de proteção à mulher no Sul do Estado, o Ministério Público do Espírito Santo (MPES) promoveu uma capacitação, durante a primeira Reunião Ordinária do ano de 2026 da Diocese de Cachoeiro de Itapemirim. O encontro, que reuniu o bispo Dom Luiz Fernando Lisboa e dezenas de presbíteros, aconteceu na última quarta-feira (11), na Casa de Retiros Mãe da Igreja, em Jerônimo Monteiro.

Marcando o início das atividades pastorais do presbitério neste ano, a reunião teve como eixo central a capacitação sobre o tema "Conhecer a Violência Doméstica e a Rede de Atendimento à Vítima", conduzida pelo Promotor de Justiça Lucas Lobato La Rocca, coordenador do Subnúcleo III do NEVID (Núcleo Especializado de Enfrentamento à Violência Doméstica e Familiar). O objetivo foi preparar os líderes religiosos para identificar sinais de abuso e realizar os encaminhamentos corretos após relatos recebidos, inclusive, em confissões. 

O papel estratégico da Igreja

Para o Ministério Público, os padres são figuras de extrema confiança nas comunidades e, muitas vezes, o primeiro canal de ajuda procurado por mulheres em situação de vulnerabilidade. "O padre já é visto como uma voz respeitável que pode encorajá-las a romper o silêncio", destacou o promotor Lucas Lobato.

A formação foi dividida em três etapas essenciais:

- Identificação: Diferenciação entre as violências física, psicológica, moral, sexual e patrimonial.

- Abordagem: Como acolher a vítima respeitando sua individualidade e evitando a revitimização.

- Encaminhamento: Orientação sobre o uso de serviços como o CREAS, a Casa Margarida e o próprio Ministério Público.

"Livrai o oprimido": um compromisso cristão

A ação atende a uma convocação feita por Dom Luiz Fernando Lisboa no final de 2025. O bispo ressaltou que a violência contra a mulher não é um problema externo, mas algo presente dentro das próprias paróquias.

"Fomos criados com muito machismo. Precisamos lutar contra isso. As mesmas vítimas de feminicídio estão dentro das nossas comunidades. A Igreja não pode ficar fora disso", afirmou o bispo.

Entre as medidas propostas pela Diocese para 2026, estão a criação de grupos paroquiais de enfrentamento à violência, formação para agentes de pastoral e a implementação de um mês dedicado à proteção da mulher em todo o território diocesano.

Capacitação técnica para salvar vidas

O representante dos presbíteros, Padre Josimar Azevedo Pirovani, enfatizou que a orientação espiritual deve caminhar junto com a ação prática. "Não basta apenas dizer: 'Vai para casa e reza'. É preciso ajudar aquela mulher a fazer um caminho e procurar especialistas", pontuou. 

 

Comentários:

Nenhum comentário feito ainda. Seja o primeiro a enviar um comentário
Já Registrado? Acesse sua conta
Visitante
Sexta, 13 Fevereiro 2026

Ao aceitar, você acessará um serviço fornecido por terceiros externos a https://anoticiadocaparao.com.br/